WebinterativaBlog Novidades Quanto vale sua amizade? Na internet ela vale mais a cada dia.

Quanto vale sua amizade? Na internet ela vale mais a cada dia.

No início do mês de abril, a compra bilionária do Instagram, um aplicativo gratuito que tira, edita e compartilha fotos em redes sociais da web, sacudiu o mercado financeiro mundial.

Como um aplicativo relativamente simples e gratuito pode valer 1 bilhão de dólares? Qual o interesse de uma empresa como o Facebook ao fazer tal investimento?

Deixando de lado os fatores especulativos do mercado na valorização desproporcional de produtos, marcas e ideias do mundo digital. Deixando de lado o  mais básico princípio econômico que algo vale o que se está disposto a pagar por ele, o Instagram faz parte de um universo em que o sucesso do compartilhamento de informações representa poder econômico imensurável.

Uma empresa com menos de 15 funcionários, um único escritório e um investimento de 250 mil dólares, realizado por Steve Anderson, CEO do fundo de investimentos Baseline Ventures, para que Kevin Systrom largasse o emprego, achasse um sócio e desenvolvesse a ideia muito crua que tinha na cabeça.

O sócio foi o paulistano Mike Krieger, a ideia um aplicativo para smartphones que até sua venda, não rendeu um centavo para seus fundadores ou investidores.

Surreal? Especulação? Não, apenas o entendimento que o compartilhamento de informações, é uma matéria prima poderosa para a formação de consumidores.

O Facebook, que criado em 2004 popularizou o verbo “Curtir”, chega em 2012 incentivando seus mais de 800 milhões de usuários a conjugar esse verbo “Compartilhar”. O instagram é por excelência, uma rede de compartilhamento, e a adesão em massa do usuário à sua simples proposta de operação, resulta agora em cifras absurdas para seus fundadores.

Mark Zuckerberg, sócio-fundador do Facebook e pop star da cultura nerd, não esconde nas suas cada vez mais fluentes aparições públicas, que o Facebook tem pretensões muito maiores do que a de uma rede que interliga amigos. Essa percepção já deixou o ciclo mais erudito da internet e ganhou o senso comum do usuário da web. Uma Facenet está em nascimento.

Um ambiente que satisfaz todas as necessidades do usuário, desde a busca por informações, ao consumo de produtos e serviços, parece ser o destino ambicioso da rede social de Zuckerberg. A genialidade da proposta consiste exatamente no princípio de compartilhamento de informações. Não qualquer informação, e não entre qualquer pessoa. São gostos, preferências pessoais, opiniões, recomendações, avaliações, experiências, sendo trocadas, compartilhadas entre amigos, amigos de amigos, amigos de amigos de amigos.  O termo amigo tem hoje um significado diverso do que já o demos um dia no mundo real, mas o que importa, é que o mercado percebeu que por mais efêmero que seja de fato a relação de amizade entre duas pessoas na Internet, o compartilhamento de informações entre eles representa um grande incentivo para tomada de decisão de compra. Sua amizade por tanto vale dinheiro na internet. Se fizéssemos uma conta despretensiosa, quase tem tom de brincadeira, e dividirmos o valor de mercado do Facebook por seus 800 milhões de “amigos”, teríamos um preço unitário para a amizade: 625 dólares. Esse é o preço para cada amigo que temos na rede.

Zuckeberg percebeu esse valor  ainda muito cedo, por isso o valor de mercado de sua empresa supera a realidade de seus ganhos com publicidade. A Facenet é poderosa demais em perspectiva. É o cenário de uma nova relação de consumo, uma nova forma de relacionamento entre um consumidor e uma marca.

O Instagram é gratuito sim, mas sua capacidade de estimular o compartilhamento de informações, vale neste momento para o mercado 1 bilhão de dólares.

É preciso entender que na Internet, como disse brilhantemente Chris Anderson, editor da revista Wired em seu livro Free:  “existe sim almoço grátis”. Não porque sua refeição na web não valha nada, mas porque assim como o Facebook, existem muitos interessados em pagar sua conta.

Compartilhamento, engajamento, recomendações… Existe um universo econômico em expansão, entender sua ordem dentro do caos, é a nova fronteira do sucesso.